trocar de banco

Insatisfação com seu banco? Possivelmente tem outro muito melhor.

A qualidade dos serviços bancários no Brasil costuma deixar bastante a desejar. E isso pode ser facilmente verificado através das listas de Procons e outros órgãos de defesa do consumidor, onde grandes bancos costumam figurar entre as instituições mais reclamadas.

Acontece que até pouco tempo atrás o consumidor não tinha muito como escapar da má qualidade dos serviços prestados pelos grandes bancos. Um não era muito melhor do que o outro, tornando uma eventual substituição quase como trocar seis por meia dúzia.

Mas esta realidade mudou. A tecnologia e alguns aperfeiçoamentos na legislação tornaram muito mais simples e segura a troca de contas dos bancos tradicionais para outras instituições mais eficientes, que inclusive costumam cobrar tarifas bem inferiores.

Relacionamos aqui os principais motivos que aprisionavam as pessoas a serviços bancários de má qualidade, apresentando o atual cenário para estas questões.

São raros os bancos que possuem grande rede de agências

Isso é verdade. Mas é verdade também que ninguém (ou quase ninguém) acha a ida ao banco um passeio agradável.

Pois bem: os bancos modernos possuem recursos de atendimento por telefone e/ou internet que tornam praticamente inexistente a necessidade de ida a uma agência. E no caso dos bancos digitais essa necessidade é zero.

Nem mesmo para abrir a conta em um banco digital você precisa sair de casa. Basta baixar o APP do banco e fotografar seus documentos. Normalmente em um ou dois dias úteis sua conta estará aberta.

E a partir daí você faz todas as operações bancárias por APP (verifique quais opções estão disponíveis no banco digital de sua preferência). Até mesmo depositar um cheque de terceiros em sua conta é possível. Você fotografa o cheque (frente e verso) e envia pelo aplicativo. E assim que o valor for compensado você pode rasgar o cheque.

E os saques em dinheiro geralmente são realizáveis pela rede Banco 24 horas, normalmente sem limite de saques e em alguns casos sem tarifas.

Fazer operações pela internet não é 100% seguro

Embora a maioria dos bancos invista pesadamente em tecnologias de prevenção a fraudes, é verdade que utilizar a internet para operações bancárias não é absolutamente seguro.

Mas você simplesmente não precisa se preocupar com isso. Desde que você cumpra as regras de segurança estipuladas pelo banco em contrato, a responsabilidade em caso de problema é integralmente da instituição financeira.

Mesmo que sua conta seja hackeada e todo o seu dinheiro seja roubado (o que é raro), o banco será obrigado a ressarci-lo(a) integralmente.

E tem mais: os bancos costumam fazer isso sem muitos questionamentos e de forma bastante rápida. Não porque eles sejam “bonzinhos”, mas simplesmente porque eles querem o mínimo de publicidade para as eventuais falhas em seus sistemas.

Outra questão a ser levantada é que todo o cliente bancário está sujeito a ser vítima de fraude, mesmo que nunca tenha utilizado internet banking ou sistema de atendimento telefônico. Afinal uma procuração falsa pode ser apresentada ao banco para movimentar os recursos do correntista, os documentos pessoais dele podem ser falsificados para retirada de valores no caixa, pode ocorrer clonagem de talão de cheques, cartões de crédito ou débito, entre outras formas de fraude.

Mas novamente frisamos: a responsabilidade nestas situações é exclusivamente do banco.

Bancos menores correm mais riscos de “quebrar”

O risco de falência de uma instituição financeira está muito mais relacionado à qualidade de sua administração do que a seu porte. Tanto isto é verdade que assistimos nas duas últimas décadas à “quebra” de alguns bancos muito grandes, no Brasil e no exterior.

No entanto, esse risco está diminuindo ano a ano, em virtude de ações de regulação e fiscalização do Banco Central, que têm tornado possível antever a eventual insolvência de uma instituição financeira.

Além do mais, os correntistas de bancos pequenos contam com a mesma proteção que os clientes de grandes bancos. Trata-se do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que é um fundo destinado à preservação de valores de correntistas, poupadores e investidores, que permite recuperar os depósitos ou créditos mantidos em instituição financeira, em até R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais), no caso de intervenção, liquidação ou falência.

Portanto, sua atenção deve ser redobrada somente se seus recursos investidos forem superiores a este montante. E neste caso vale a pena pensar em distribuir seus valores entre várias instituições, mantendo em cada uma preferencialmente apenas o limite garantido.

Você pode, por exemplo, concentrar investimentos vultosos em instituições tradicionais e o dinheiro para as operações do dia a dia manter em bancos mais eficientes e modernos.

As orientações de investimento do meu gerente são muito úteis

É bem verdade que muitos gerentes de banco dão ótimas dicas de investimento aos seus clientes. Mas é igualmente verdade que muitos desses gerentes têm metas a cumprir para investimentos específicos, o que por vezes pode comprometer a isenção da orientação dada, fazendo até mesmo com que profissionais menos escrupulosos “esqueçam” de comentar alguns riscos ou aspectos pouco positivos do investimento em questão.

Pois bem, muitos dos bancos menores (incluindo os bancos digitais) também oferecem orientação de investimentos. E igualmente corre-se o risco de que esta orientação esteja contaminada por interesses da instituição.

Mas existe uma diferença fundamental entre uma situação e outra.

Quando você senta na frente de um gerente de banco para receber orientação financeira, tudo o que ele diz (e tudo que não diz) é levado pelo vento. Já quando esta orientação é prestada por telefone, normalmente a ligação é gravada (em muitos casos a própria legislação obriga o registro e armazenamento da gravação, que pode inclusive ser solicitada pelo cliente).

E você também pode gravar a ligação. Existe farta jurisprudência que garante a qualquer pessoa o direito de gravar sua própria conversa, com a finalidade de garantir a manutenção de algum direito que julgue ameaçado. O que não se pode fazer em hipótese alguma é divulgar ou distribuir o conteúdo da ligação por qualquer meio sem autorização judicial. Outra coisa que não se pode fazer é gravar conversas de terceiros, da qual você não esteja participando.

Isto posto, não há como garantir que a orientação dada por um profissional de um banco de atendimento remoto seja melhor ou pior do que a prestada por gerentes de bancos tradicionais. Mas é bem mais simples provar tudo o que foi dito.

Não posso trocar de banco, pois recebo meu pagamento pelo banco X

Esse sempre foi um dos principais entraves para as pessoas que estão insatisfeitas com os serviços prestados pelos bancos dos quais são clientes. Mas esta realidade mudou a partir de 1º de julho de 2018, quando entrou em vigor a resolução do Banco Central nº 4.639, popularmente conhecida como “lei da portabilidade salarial”.

Esta resolução permite que as pessoas possam solicitar que salários, aposentadorias e similares passem a ser automaticamente transferidos do banco em que o pagamento é realizado para qualquer outra instituição bancária ou, dependendo do valor, para empresas de pagamento regulamentadas, tais como Brasil Pré-Pagos, Cielo, GetNet, Nubank, Redecard, Stone e Super Pagamentos.

O processo é bastante simples e pode ser solicitado diretamente à instituição para onde você quer que os valores sejam remetidos. E a partir da efetivação da portabilidade, seu pagamento será mensalmente transferido para sua nova conta, de forma automática e integralmente gratuita.

Estou acostumado(a) com meu banco (esse é o maior obstáculo a ser vencido)

Você sabe o que é resiliência? Em termos psicológicos, pode se dizer que é a capacidade de voltar ao seu estado natural, principalmente após alguma situação crítica e fora do comum.

A resiliência é algo muito bom, pois permite ao ser humano sobreviver e se recuperar emocionalmente dos “baques” da vida, aquelas situações que não podemos controlar.

Mas é importante entender a diferença entre resiliência e passividade. Esta ocorre quando aceitamos com naturalidade tudo o que tem de errado à nossa volta, mesmo as coisas que podemos modificar. A passividade é ruim. Sempre.

Acontece que por razões históricas e culturais, nós brasileiros somos extremamente passivos. É bem verdade que em anos recentes isto vem mudando, principalmente no campo político. Mas ainda temos um longo caminho a evoluir no que concerne aos nossos hábitos como consumidores.

Precisamos dar às empresas que nos desrespeitam o mesmo “Basta!” que estamos começando a dar aos maus políticos. E caso você seja cliente de um banco que preste um serviço ruim, buscar alternativas é um ótimo primeiro passo.

Outro hábito que nós brasileiros precisamos desenvolver é o de ter mais atenção com nossos custos, por menores que sejam. E neste quesito os custos bancários também se encaixam perfeitamente.

Experimente levantar todos os custos que você costuma ter com seu banco, incluindo taxas de manutenção de conta, tarifas de transferência, anuidade de cartões de crédito e/ou débito, entre outras.

Anote todos os valores e leve a alguns bancos concorrentes. Diga que irá mudar sua conta se os custos forem substancialmente menores. Negocie.

Depois volte ao seu atual banco e apresente os números da concorrência. Muito provavelmente você irá conseguir um ótimo desconto nas tarifas.

Agora vem a questão: por que nós brasileiros não costumamos fazer isso? Pois bem, embora algumas pessoas tenham este costume, a grande maioria não faz isso, simplesmente porque julga que não se deve perder tempo com valores tão pequenos.

Em parte isto é verdade, mas somente se enxergarmos cada tarifa individualmente e durante um curto período de tempo.

Experimente calcular o quanto você pode economizar por mês e multiplique por um, dois e cinco anos.

Você provavelmente irá encontrar recursos para fazer passeios que gostaria, frequentar restaurantes aos quais não costuma ir, comprar ou trocar de carro, fazer uma viagem especial...

Pesquise opções

Apresentamos a você o ranking de reclamações sobre instituições financeiras no Banco Central. É um ótimo indicativo para você selecionar as empresas que prestam melhores serviços.

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Teve uma experiência positiva ao trocar de banco? Conseguiu negociar tarifas menores com seu banco? Conte-nos sua história.

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